Jorge Risco Candamo
Artista plástico cubano, de formação autodidata, cuja pesquisa se concentra nas relações entre pintura, paisagem, matéria, luz, memória e experiência.
Sua prática parte da observação da natureza para investigar os processos pelos quais uma imagem se constitui, desaparece e permanece na percepção.
Iniciou sua formação artística em Camagüey, Cuba, em diálogo com o mestre paisagista Carlos Alberto Casanova, cuja concepção de paisagem e escatopaisagem representa uma referência importante em seu percurso. A partir dessa experiência,risco desenvolveu gradualmente uma linguagem própria, na qual a paisagem deixa de ser compreendida apenas como representação de um lugar e passa a operar como espaço de experiência, memória e transformação.
Sua produção articula principalmente óleo e aquarela, explorando comportamentos distintos da matéria pictórica. transparência, diluição, acumulação, espessura e sedimentação constituem procedimentos através dos quais o artista tensiona os limites entre figura e atmosfera, presença e desaparecimento, visível e invisível. A imagem surge, nesse processo, como algo instável, em permanente estado de transformação.
A araucária brasileira ocupa um lugar recorrente em sua pesquisa. Mais do que um elemento reconhecível da paisagem, ela funciona como uma espécie de dispositivo simbólico através do qual o artista aborda questões relacionadas ao tempo, ao enraizamento, à permanência e à experiência do deslocamento. A árvore torna-se uma forma de pensar o território e, simultaneamente, uma imagem capaz de condensar diferentes temporalidades e experiências.
A própria trajetória do artista, marcada pelos deslocamentos entre Cuba, Espanha e Brasil, atravessa esse campo de investigação. A experiência migratória introduz na obra uma percepção particular do território: aquele que se habita, aquele que se deixa e aquele que se tenta reconstruir através da memória. Nesse contexto, a paisagem adquire uma dimensão subjetiva e política, relacionada às formas pelas quais construímos pertencimento quando o lugar de origem já não coincide com o lugar onde vivemos.
Sua pintura desenvolve-se, portanto, em uma zona de contato entre experiência e matéria. Cada superfície funciona como um campo de passagem no qual luz, pigmento e tempo produzem diferentes estados de aparição da imagem. O interesse do artista está menos na fixação de uma paisagem determinada do que na possibilidade de fazer emergir, através dela, uma experiência sensível do tempo e da existência.
Atualmente, Jorge Risco Candamo desenvolve sua pesquisa artística no Brasil, aprofundando uma investigação sobre a pintura como espaço de percepção e transcendência. Seu trabalho procura construir imagens nas quais a natureza possa ser percebida simultaneamente como território, memória e experiência interior
Veja abaixo as últimas obras/exposições de Jorge Candamo.

QUIETUDE DA NOITE
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A ILUMINAÇÃO DA ÁRBORE
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A RENOVAÇÃO
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