Já neste tempo o lúcido Planeta
Que as horas vai do dia distinguindo
Chegava à desejada e lenta meta,
A luz celeste, às gente encobrindo,
E da Casa marítima secreta
Lhe estada o Deus Noturno, a porta abrindo,
Quando as infidas gentes se chegaram
Às naus, que pouco havia que ancoraram.
(CAMÕES, p.81, 1980)
No final do século XV, durante o Renascimento, portugueses e espanhóis, impulsionados pelo desejo de acessar especiarias e produtos orientais sem intermediários, passaram a buscar rotas alternativas para a Índia, dando início às Grandes Navegações, terminando com a conquista do continente americano. Essas expedições culminaram com a chegada de Vasco da Gama a Calecute 1 , na Índia, em 1498; Pedro Álvares Cabral ao Brasil; e Cristóvão Colombo a uma ilha do atual arquipélago das Bahamas, em 1500. Mais que apenas cruzar mares, esse processo proporcionou a colonização de novos continentes, dando início à globalização.
Antes da chegada de Colombo à América, a Arte e a Cultura desenvolvidas pelos povos existentes destacou no campo da Arquitetura, da Ourivesaria, da Cerâmica, por todo simbolismo religioso e pelos conceitos de Astronomia. Nessa região floresceu a Arte Pré-colombiana.
Entre os povos encontrados (Fig.1), na Mesoamérica 2 , os Maias deixaram grande conhecimento sobre Astronomia, construíram observatórios, pirâmides com escadarias, esculturas de deuses e deixaram sua escrita por meio de relevos. Na região Central do México viviam os Astecas que dedicavam templos às suas divindades, conhecidos por seu trabalho ornamental com penas e plumas, por suas máscaras funerárias, por sua cerâmica policromada, além de serem muito conhecidos por suas imponentes esculturas em pedra, como a Pedra do Sol. Os Incas, que viveram na região da Cordilheira dos Andes, trabalhavam com metais como ouro e prata, esculpiram imagens ritualísticas e ficaram conhecidos por sua técnica da cerâmica geométrica.
Entre os artefatos, a imagem de uma estatueta totonaca 3 (Fig.2) Destaca-se pelo realismo de um rosto humano sorrindo. A escultura entalhada em barro foi produzida na região do estado de Veracruz, no México. As notáveis imagens produzidas, feitas muitas vezes de terracota ou de pedra polida e entalhadas, impressionam pelo expressionismo dos rostos com sorrisos. Acredita-se que o uso das imagens era ligado a rituais de fertilidade, culto aos mortos ou que ainda fossem usadas como chocalhos.
Alguns artefatos como os Tubos Ornamentais (Fig.3) possuíam a função ritualística, denotavam status ou poder e muitas vezes eram utilizados como adorno corporal, como pingentes, ou até mesmo como inaladores para o consumo de substâncias alucinógenas em rituais. Esses tubos eram entalhados com motivos geométricos, com imagens de deuses e de animais, refletindo a ligação da cultura com a espiritualidade.

Link da imagem:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_pr%C3%A9-colombiana#/media/Ficheiro:Totonaque_Auch_3.jpg

Link da imagem:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Arte_pr%C3%A9-colombiana#/media/Ficheiro:MacoocheeMoundEffigyPipe.png
Por Rosângela Vig.
Referências:
- BAYER, Raymond. História da Estética. Lisboa: Editorial Estampa, 1993. Tradução de José Saramago.
- CAMÕES, Luís de. Lírica – Épica – Teatro – Cartas. São Paulo: Editora Moderna, p. 81 1980.
- FARTHING, Stephen. Tudo Sobre a Arte. Rio de Janeiro: Sextante, 2011.
- GOMBRICH, E.H. A História da Arte. Rio de Janeiro: Editora Guanabara, 1988.
- HAUSER, Arnold. História Social da Arte e da Literatura. Martins Fontes, São Paulo, 2003.
- MEIRELES, Cecília. Janela Mágica. São Paulo: Ed.Moderna, 1988.
- CHILVERS, Ian; ZACZEK, Iain; WELTON, Jude; BUGLER, Caroline; MACK, Lorrie. História Ilustrada da Arte. Publifolha, S.Paulo, 2014.

