Franz Kafka corresponde ao estereótipo, comum no século XX, do intelectual solitário, enfermo e insatisfeito. Seu único alívio eram seus textos e neles está refletida toda a sua angústia.

Sistemas Inacessíveis e Protagonistas Vítimas

Seus protagonistas não são heróis, tampouco vilões; geralmente, são vítimas. Josef K. de O Processo, e o agrimensor K., de O Castelo, sofrem ao lidar com sistemas inacessíveis.

Ambas histórias são angustiantes, pois colocam os protagonistas na situação absurda de buscar informações que lhe são negadas e conhecimentos que lhe são omitidos.

O Incômodo Existencial do Homem Moderno

No entanto, apesar dessas histórias tratarem de sistemas burocráticos, me parece claro que eles se referem a algo que vai além de processos administrativos e organizações públicas. Kafka certamente expõe seu próprio incômodo existencial.

Como homem moderno, ele sente o peso de viver numa época quando todas as certezas foram colocadas em dúvida. Um momento de pré-guerra que vinha abalando as crenças mais profundas de uma Europa machucada.

Um período quando o que vigora é uma sensação de absurdidade que coloca cada indivíduo sob o peso de uma vida que se mostra inexplicável e sem sentido.

Capa da primeira edição de Der Prozess (O Processo) 1925 – Por Desenho editorial – Publicado por Verlag Die Schmiede, Berlim., Domínio público, https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Kafka_Der_Prozess_1925.jpg

A Ausência de Moralidade e Solução

Porém, esses romances kafkianos não são pessimistas. Para isso, eles precisariam carregar algum intuito moral. Só que não há moralidade alguma neles, apenas a descrição de uma situação incômoda e angustiante.

Quando lemos O Castelo e O Processo não vemos esperança e muito menos solução. Apenas acompanhamos os protagonistas indo e vindo, entre labirintos e personagens que mais servem para confundir e afastar de qualquer resolução.

O Desfecho Indigno

A única finalização que testemunhamos nesses romances é a execução de Josef K., o qual não morre como herói, nem sofre com a vergonha de ser acusado de algo que tenha cometido. Pelo contrário, morre da forma mais indigna e insignificante: como um cão.

Por Fabio Blanco

Instagram:

@professorfabioblanco
@oratoriafabioblanco

Substack:

https://substack.com/@professorfabioblanco

Newsletter Semanal Inscreva-se!

Para Artistas, Colecionadores e Apreciadores.
Arte & cultura, cursos e oportunidades em leilões e editais.

Share.

O espaço onde a criatividade se expande e a inspiração ganha forma não é financiado por nenhum recurso público. Com seu apoio expandimos nossos projetos, mantendo o acesso gratuito à cultura viva, crítica e contemporânea. Assine nossa NEWSLETTER para receber oportunidades e novidades para artistas, colecionadores e admiradores. Aqui, celebramos talentos emergentes e estabelecidos que reinventam a estética contemporânea, unindo história, filosofia e beleza em obras que transcendem o ordinário.

Deixe seu Comentário Cancelar Resposta
Exit mobile version