Franz Kafka corresponde ao estereótipo, comum no século XX, do intelectual solitário, enfermo e insatisfeito. Seu único alívio eram seus textos e neles está refletida toda a sua angústia.
Sistemas Inacessíveis e Protagonistas Vítimas
Seus protagonistas não são heróis, tampouco vilões; geralmente, são vítimas. Josef K. de O Processo, e o agrimensor K., de O Castelo, sofrem ao lidar com sistemas inacessíveis.
Ambas histórias são angustiantes, pois colocam os protagonistas na situação absurda de buscar informações que lhe são negadas e conhecimentos que lhe são omitidos.
O Incômodo Existencial do Homem Moderno
No entanto, apesar dessas histórias tratarem de sistemas burocráticos, me parece claro que eles se referem a algo que vai além de processos administrativos e organizações públicas. Kafka certamente expõe seu próprio incômodo existencial.
Como homem moderno, ele sente o peso de viver numa época quando todas as certezas foram colocadas em dúvida. Um momento de pré-guerra que vinha abalando as crenças mais profundas de uma Europa machucada.
Um período quando o que vigora é uma sensação de absurdidade que coloca cada indivíduo sob o peso de uma vida que se mostra inexplicável e sem sentido.
A Ausência de Moralidade e Solução
Porém, esses romances kafkianos não são pessimistas. Para isso, eles precisariam carregar algum intuito moral. Só que não há moralidade alguma neles, apenas a descrição de uma situação incômoda e angustiante.
Quando lemos O Castelo e O Processo não vemos esperança e muito menos solução. Apenas acompanhamos os protagonistas indo e vindo, entre labirintos e personagens que mais servem para confundir e afastar de qualquer resolução.
O Desfecho Indigno
A única finalização que testemunhamos nesses romances é a execução de Josef K., o qual não morre como herói, nem sofre com a vergonha de ser acusado de algo que tenha cometido. Pelo contrário, morre da forma mais indigna e insignificante: como um cão.
Por Fabio Blanco
Instagram:
@professorfabioblanco
@oratoriafabioblanco
Substack:
https://substack.com/@professorfabioblanco
