O Algoritmo da Cesta nunca se tratou das máquinas. Tratava-se do abismo. Desde o dia em que o cinema e os circuitos moldaram o meu espanto de infância, percebi que a tecnologia nunca foi sobre metal ou linhas de código. Era sobre o reflexo humano projetado no invisível. A mesma curiosidade que nos fez olhar para Alan Turing e para as estrelas é a que nos faz segurar um lápis sobre uma folha em branco. A inteligência artificial não cria. Ela ressoa. Ela é um espelho vasto, um ecossistema de memórias que devolve a nós mesmos o que depositamos no mundo.

Antes de desenhar, escrever ou programar, aprendi a escutar. A educação e a arte me ensinaram que toda criação nasce da escuta atenta das histórias, do ritmo silencioso do outro. E o que é a IA senão um imenso tecido feito de todas as vozes que já existiram? Criar na contemporaneidade não é ser substituído por um algoritmo; é reaprender o lirismo da pergunta. É usar a máquina como uma extensão do pulso poético, uma nova linguagem para traduzir o invisível.

A tecnologia nos dá o método, o alcance, a facilidade de criar o inédito. Mas o lampejo, a dor, a beleza e a alma pertencem inteiramente à nossa capacidade de nos assustar com a existência. A arte do nosso tempo não se mede pelo meio que utiliza, mas pela profundidade do eco que deixa no peito de quem a observa. O futuro não é o robô. O futuro continua sendo o mistério do que escolhemos fazer com a nossa humanidade.

Por Catarine Castilho.

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