Em época de eleição, é fácil acreditar que o futuro de uma nação será decidido diante de uma urna.
Depositamos expectativas em nomes, partidos, propostas. Esperamos que alguém chegue ao poder e consiga colocar as coisas no lugar. E é compreensível que desejemos bons governantes, homens e mulheres verdadeiramente preocupados com o destino de seu país.
Mesmo que elegêssemos um homem honesto, prudente e verdadeiramente comprometido com o bem comum, ele encontraria uma sociedade formada por pessoas. E a qualidade de uma sociedade começa numa casa.
Começa na maneira como um menino aprende a tratar sua mãe. Na maneira como uma menina aprende a respeitar a própria dignidade. No pai que compreende que sua autoridade não é domínio, mas responsabilidade. Na mãe que entende que educar não é simplesmente manter os
filhos ocupados, mas formar sua inteligência, sua vontade e seu caráter.
Começa quando uma criança aprende a obedecer mesmo quando não quer. Quando aprende a esperar. Quando aprende a terminar aquilo que começou. Quando descobre que nem todo desejo precisa ser imediatamente satisfeito. Quando aprende a pedir perdão, a dizer a verdade, a
servir alguém sem receber nada em troca.
São pequenas coisas. Tão pequenas que quase não aparecem nas grandes discussões públicas.
Uma nação não se torna forte apenas porque possui boas leis. Ela se torna forte quando possui homens e mulheres capazes de viver bem sob boas leis.
Por isso, talvez uma das maiores ilusões do nosso tempo seja esperar que a política faça aquilo que a educação deixou de fazer.
A política pode organizar instituições. Pode criar leis, administrar recursos, proteger direitos e estabelecer responsabilidades. Tudo isso importa. Mas ela não consegue ensinar um filho a respeitar o pai. Não consegue formar a consciência de uma criança. Não consegue devolver à família aquilo que a própria família deixou de transmitir.
Existe uma obra anterior à obra política e muito mais silenciosa que é a formação humana. Isso acontece todos os dias, muitas vezes sem testemunhas.
A mãe que interrompe o que está fazendo para ensinar o filho a falar com respeito está fazendo uma obra cultural. O pai que permanece presente, mesmo cansado, está fazendo uma obra cultural. Os pais que leem com os filhos, que conversam à mesa, que ensinam os pequenos a assumir as consequências dos próprios atos, que protegem sua infância e alimentam sua inteligência estão fazendo uma obra cultural.
A família que permanece unida, que aprende a perdoar, que enfrenta as dificuldades sem transformar cada crise em motivo para abandonar o outro, também está fazendo uma obra cultural.
É assim, de tijolinho em tijolinho. De geração em geração. De casa em casa.
Talvez esse trabalho pareça pequeno diante dos grandes problemas do mundo. Mas é justamente aí que precisamos recuperar a perspectiva.
Uma civilização não é construída apenas por aqueles que aparecem nos livros de História. Ela é construída também por milhões de pessoas comuns que, todos os dias, ensinam alguém a ser humano.
É por isso que formar nossos filhos é uma tarefa tão grande. Não estamos apenas preparando uma criança para passar de ano, conseguir uma profissão ou encontrar seu lugar no mercado de trabalho. Estamos formando o homem ou a mulher que amanhã será pai, mãe, professor, médico, trabalhador, governante, vizinho, cidadão.
Uma nação forte precisa de instituições fortes, mas também precisa de pessoas fortes no sentido mais profundo da palavra: pessoas capazes de dominar a si mesmas, reconhecer o bem, buscar a verdade, cumprir seus deveres e colocar o que é justo acima daquilo que simplesmente desejam.
É por isso que não podemos colocar sobre uma eleição o peso de uma salvação que ela jamais poderia oferecer. A esperança de um país não deveria caber inteira no nome de um candidato.
Precisamos voltar os olhos para aquilo que está ao nosso alcance: nossa casa e nossos filhos.
É nesse lugar que iniciativas culturais e educativas têm uma importância enorme. Uma revista, um livro, uma conversa, uma boa ideia colocada diante de uma família podem parecer pequenas coisas. Mas a cultura se transforma justamente assim: quando aquilo que é verdadeiro, belo e bom começa a encontrar espaço novamente na inteligência e no coração das pessoas.
A reconstrução de uma sociedade começa quando deixamos de esperar que alguém venha fazer por nós aquilo que precisamos começar a fazer dentro da nossa própria casa. E é aí que precisamos estar.
Por Catiane Longhi – Educadora Familiar
Instagram: @catianelonghi
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Fundadora do Resgate Feminino; projeto ligado à TL\TV Flórida-USA

