
História da Cerâmica
Ajuntei todas as pedras
Que vieram sobre mim.
Levantei uma escada muito alta
E no alto subi.
Teci um tapete floreado
E no sonho me perdi.
CORALINA, 2004, p.213)
A poesia da Cora Coralina descreve de forma sutil do que é capaz o espírito criativo. A mente, em ebulição, trafega por insondáveis caminhos quando a capacidade inventiva é maior, não importa o material, não importa a técnica. Feito criança, seus olhos brilham diante do objeto e, aos poucos, a peça vai surgindo em meio às mãos por vezes lambuzadas de barro e de tinta. Sua criação é como um filho único saindo das entranhas. E, nos caminhos da Arte, dentre todas suas manifestações, a Cerâmica é uma das técnicas humanas mais antigas de representação estética.
O ser humano precisou do fogo para desenvolver as técnicas para a criação da cerâmica, uma vez que seu calor era necessário para endurecer a argila. O nome tem origem no grego “kéramos” e significa terra queimada. A origem remonta a entre 16.000 e 25.000 anos. Inicialmente, as peças tinham a funcionalidade de armazenamento de alimentos e líquidos, mas logo evoluiu para a construção, devido à sua durabilidade.
Entre os objetos criados, as peças de revestimento cerâmico apresentam-se na forma de azulejos, potes, tijolos e vasos, entre outros objetos de argila, cuja fabricação não demanda um trabalho detalhista. Por outro lado, peças como xícaras, pratos, vasilhas, estatuetas demandam maior cuidado nos detalhes e apresentam-se por meio de argila, porcelana e grés – material cerâmico de alta densidade e de baixa porosidade. Para utilização em tijolo refratário de fornos e para ferramenta de corte de usinagem, a cerâmica utilizada é mais pura, apresentando maior resistência e, portanto, sua produção requer materiais mais resistentes, como a cerâmica avançada ou de engenharia.
A cerâmica avançada tem alta pureza e alta resistência às altas temperaturas, ao desgaste e à corrosão, além de um maior isolamento elétrico. Sua composição permite o uso em vários campos, como a Eletrônica, a Biomedicina, no setor automobilístico e no aeroespacial.
Na Pré-História, a utilização da cerâmica era com a finalidade de armazenamento, ainda mostrando peças rudimentares. Na Antiguidade, para uma queima mais uniforme, têm-se registros de utilização de fornos na Mesopotâmia e no Egito. Da Idade Média veio o desenvolvimento da porcelana chinesa e o uso de objetos de cerâmica revestidos com vidro ou vidrado (Fig. 1). Na imagem, o uso de amarelo contrasta com a seriedade do marrom. A delicadeza do desenho completa o conjunto. Nesse caso, o objeto cerâmico funde-se com a substância vítrea, por meio de aquecimento. Com isso, é possível melhor aspecto decorativo, como também a impermeabilização da peça. Entre os séculos XIX e XX iniciou-se a produção em larga escala de tijolos e revestimentos com o intuito de uso na construção, como telhas. Atualmente, a utilização da cerâmica é possível até mesmo em naves espaciais e na alta tecnologia.
No Brasil Colonial, havia um forno de tijolos em cada engenho de açúcar, tanto para a queima de tijolos como para a produção de louças. Para as famílias com mais posses, a porcelana era importada da Índia. Com a matéria prima abundante no Brasil, a argila, houve um crescimento desse mercado, que passou a ser utilizado de início para a decoração, mas depois, devido à sua durabilidade e à sua qualidade de isolamento do calor, o uso propagou-se principalmente nos estados do Norte, Nordeste e no Rio de Janeiro.
E a Arte brasileira, que sempre se revelou bela, também tem sua história na cerâmica. O brasileiro não cansa de criar e de deixar à mostra seu espírito engenhoso. O colorido das peças artesanais está presente em várias feiras de artesanato que se espalham por todo o país, levando mais que a alegria da produção, mas o meio de sustento de muitos. Entre as peças, há pessoas comuns retratadas pelas mãos do artífice em barro, com chapéus, roupas coloridas; há animais, charretes, casinhas e cenas do cotidiano de uma cultura.
Na Escultura, a cerâmica tem artistas exemplares, entre os quais pode-se citar Alberto Cidraes, natural de Portugal, que vive na cidade de Cunha, no interior de São Paulo. Seus Guerreiros (Figuras 2 e 3) têm olhar distante e sério, sob seus capacetes. Suas formas são retilíneas e a preocupação do artista foi em esboçar os detalhes, levando à obra o sentido de contemporaneidade.
A Arte é o fruto de uma combinação entre o uso da cor e da forma e o material. A alma de cada produção é entretanto o resultado da mão que tocou a matéria prima e a tornou obra, por meio de sua sensibilidade e sua forma de interpretar o mundo ao redor, que é única.
1 – Vídeo sobre como produzir a cerâmica a partir do barro.
2 – Vídeo sobre produção de artesanato a partir de tijolo

