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Currículo Resumido de Zilamar Takeda

Formada em Instrumentação Cirúrgica na Escola de Enfermagem do Hospital São Camilo em São Paulo (1984), atua como artista visual, realiza seus trabalhos utilizando diversas técnicas, dentre elas a feltragem, tecido feito à mão com fibras naturais e encáustica como pintura, ministrou diversos cursos e oficinas de arte têxtil contemporânea entre os anos (1992 a 2006), participou do curso I e II de Arte & Design em Montevidéu, Uruguai com artista plástica alemã Beatriz Schaaf (2004 e 2006), fez residência Artística Arte & Design Têxtil na Sommerakademie Wollknoll, Stuttgart – Alemanha (2008), cursou como premio por um ano história da Arte na Galeria Mali Villas Boas, São Paulo (2009), Frequenta Grupo de estudos: “livro de artistas, livros objetos na Casa Contemporânea, São Paulo (2017 e 2018), fez parte de algumas exposições coletivas e individuais, destacando as individuais A mão e o tempo, Galeria Quarta Parede, São Paulo (2019), Superfície & Alma – Museu Paulo Setubal Tatuí (2016), Naturaleza – Museu Florestal Octávio Vecchi (Horto Florestal) São Paulo (2012), Galeria de Arte Fernanda Perracini Milani, Jundiaí (2011), exposições coletivas, itinerancia Imagem & Haicai no espaço Memorial da América Latina – São Paulo (2018), Fatec, Espaço Cultural Tecnologia e arte – São Paulo (2017), VII Salão Internacional de Artes visuais Sinap/Aiap, São Paulo (2017), Comissão de Direito às artes OAB São Paulo (2017), V Salão de Outono da América Latina São Paulo (2017), Sagrado, Paço das Artes Santo André São Paulo (2016), Proiezion/Percezioni – Mostra de fotografia – Sardenha Itália (2016), Salão de Arte de Vinhedo SAVI (2015), Party Dress – Triennial Tapestry Lodz, Polônia (2013), Artistas Sem Curadoria – Liceu de Artes e Oficios / ParaTodos, São Paulo (2012), atualmente vive e trabalha em seu atelier em São Paulo.

O TRABALHO DE ZILAMAR POR UM FIO, COMO UMA LÍDIA ARACNE

Por Eliane Ferreira de Amorim

Zilamar Takeda - O TRABALHO DE ZILAMAR POR UM FIO, COMO UMA LÍDIA ARACNE.Por um fio a vida da artesã Zilamar Takeda esteve e, por toda sua vida os fios fizeram parte do seu labor. Zilamar desde pequena via as mulheres de sua família lidando com fios em bordados, rocas, teares, pontos e costuras. Ela tornou-se instrumentadora, aprendeu a lidar com outros tipos de fios e pontos precisos para costurar corpos. Lecionou tecelagem e aprendeu a fazer feltragem a seco e molhada com lã. Tingimentos com corantes naturais. É autoditada e fez diversos cursos: pintura, colagem, encáustica, assemblagem. Essa curiosidade e inquietação a levaram para um campo de experimentação que a impulsionou para além da artesania.

Seria um fio condutor? Um fio, novamente um fio! Como ousa Zilamar Aracne? É sua sorte a Palas Atena ser a Deusa generosa da arte e artesania? Assim poderia transitar vertiginosamente de Artesã têxtil para Artista?

Em sua curiosidade experimental começou a misturar linguagens e técnicas. Todas as técnicas que aprendeu foram destituídas de suas funções para começar a construção de um bricoler. Com os fios de lã e de seda; os pontos ora de tecelã, ora de instrumentadora ela cria um emaranhado de coisas que não são mais compreendidas como artesania, mas, que rumam como um CsO para um outro espaço. Num espaço atemporal distendido, em trânsito do que há por vir, como descreve Gilles Deleuze e Guatari em Mil Platôs. Essa transição requer um agenciamento para adentrar as engrenagens. Graças se dá ao Marcel Duchamp por seu “ready-made”, que tirou um objeto de seu contexto e o ressignificou com outro conceito. Não só apenas isso, como ele também foi capaz de tecer. Duchamp agindo como um aracnídeo, privou as pessoas de verem de perto as obras da exposição First Papers of Surrealism/1942, preenchendo a galeria desde a sua entrada com um emaranhado de fios.

A Zilamar Aracne está em transição. Ela ainda carece de estabelecer uma narrativa convincente desse corpo em trânsito. O trabalho é pulsante, laborioso, muitas vezes meticuloso por causa dos cuidados e da profusão de técnicas que são empregadas para fazer uma só peça. Que precisa ser defendida em constância para comunicar-se em ideia numa paródia construtiva e crítica. Do que queres falar? São muitos anos de conhecimento, muitas técnicas aprendidas que precisam dum enlaçamento conciso de um fio condutor. Mas, a Lígia tece o fio, agora não usa mais a roca nem e o tear. Ao se dependurar vertiginosamente por um fio a Zilamar Takeda usa feltragens. Os seus pontos precisos e variados para costurar chapas de Raio X. Tem remendado corpos ou construindo um CsO? São pés, joelhos, arcadas dentárias destituídos de suas funções originais para ganharem outros significados. O que uma boca dentada tirada de um Raio X quer dizer? Apenas como um exame, serviria para um diagnóstico. E quando o trabalho da Zilamar, a Lídia Aracne, costura com a lã em pontos cirúrgicos, tecidos como lábios numa boca dentada de Raio X? Desafiadoramente, como uma aranha que se desfaz de sua pele conforme seu crescimento, Zilamar transita por um fio para um crescimento do seu trabalho para o conceitual. Num CsO, em trânsito do que está por vir.

Sobre Eliane Ferreira de Amorim

Formada em Pedagogia pela FMU, em Artes Plásticas pela Escola Panamericana
de Artes e Design, cursou História da Arte em diversos museus, Joalheria na
Faculdade Santa Marcelina, cenografia no Senac e Arte: História, Crítica e
Curadoria na PUC/SP.

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